É difícil – ainda que não impossível – mas a única saída legítima para esse buraco são novas eleições. Desde o golpe, agora novamente. Qualquer coisa diferente disso é Temer 2 e nenhuma medida instituída deveria ser aceita

No final de abril, estive no workshop Data-Driven Elections, promovido pelo projeto Big Data Surveillance. O evento foi encerrado com uma conversa com a jornalista Carole Cadwalladr, responsável por revelações sobre o caso FAcebook/Cambridge Analytica. Publicaram vídeo com a intervenção dela, uma história que parece de filme https://www.sscqueens.org/news/public-event-at-uvic-on-april-30th

Forwarded from baixacultura
Fazia meses que o cientista da computação Fabrício Benevenuto não via nada de novo na sua ronda diária por grupos políticos de WhatsApp. Criador de uma ferramenta capaz de elencar os conteúdos mais compartilhados no aplicativo, o WhatsApp Monitor, o professor associado da UFMG via com tédio os mesmos tipos de montagens, áudios, notícias falsas, correntes e vídeos motivacionais percorrerem sua tela, dia após dia nos 350 grupos políticos abertos que acompanha.

Na tarde de 8 de maio, porém, Benevenuto notou algo estranho: quase todas as imagens mais compartilhadas no seu sistema mostravam universitários nus, teses com nomes esdrúxulos e desenhos irônicos sobre estudantes de humanas. Aquilo, percebeu, não era espontâneo. Checou os altos números e concluiu que se tratava de algo novo, orquestrado. Estava diante de uma nova ofensiva da milícia digital de Bolsonaro, grupo que andava pouco ruidoso após as eleições.

Matéria no The Intercept, via Lavits: https://theintercept.com/2019/05/14/milicia-digital-bolsonarista-contra-universidades/

Forwarded from trepamuleke
“It’s the end of the world as we know it…” Não, não, não ouvimos REM, mas falamos de fim do mundo. Pode ser aquele já anunciado, em que tudo vai ficando mais quentinho e derretido e a vida vai morrendo, pode ser esse mais locão que a gente está vivendo, com um governo de gente incapaz de cuidar de si, quanto mais do país, pode ser o fim do mundo civilizado. Você escolhe! Mas não decide, já que o autoritarismo tá aí metendo bala e cortando gastos. Vai acabar em 2050? Segundo os cientistas reunidos em um painel pela ONU a coisa vai ficar mais feia principalmente pra quem está nos trópicos, ou seja, nós. Falando em fim, discutimos também a previdência e suas reformas, debatendo uma figura que nessa semana passada foi novamente guindada às luzes por suas posições no assunto: Tabata Amaral. Deu feiticeira na cabeça, mas as vozes deste podcast nuançaram o que raios entendem por isso, o que quer dizer que todo mundo concordou em discordar mas depois concordou de novo. E é claro que tínhamos que falar sobre educação e universidades, já que os caras que tem a caneta para decidir sobre a ciência nacional e sobre as vidas dos cada vez mais pobres cientistas brasileiros são incapazes de fazer matemática básica usando chocolatinhos! Essa mexida com a educação está servindo muito bem para desmascarar como esses caras tem no horizonte o fim do conhecimento, e a coisa está esquentando para o dia 15. Será que vai? Será que vai poder gritar Lula Livre? Enquanto isso, tá ficando cada vez mais claro como o que aconteceu nessas eleições não foi lá muito normal, que a estratégia de comunicação dos caras, baseada no Zap, tá no limite da irresponsabilidade. Pode ser um flanco pra gente ir pra cima. Quem tá de olho nisso está falando e juntando evidências de ação organizada. No submundo dos grupos radicais os últimos dias foram de ataque às universidades, olha que coincidência, né? No som, ouvimos aquela surf music do Autoramas, do Gasolines e do saudoso Dick Dale. Porque se vem tsunami por aí é melhor pegar a prancha e já emendar aquele tubo radical. http://trepamuleke.com/podcast/trepa-muleke-56/

Os novidadistas pregando o fim do trabalho talvez não percebam que, quando falamos em trabalho, falamos sempre em trabalho alienado – ninguém se refere à hortinha que planto em casa, à mera atividade humana. E que o trabalho até aqui se expandiu, avançou (no quanto toma da vida, ie, da liberdade) ao lado da automação. Porque a chave é mesmo essa: “alienado”. As relações de trabalho são as relações de sujeição admitidas com o fim da escravidão. A automação não nos fará livres – nem desocupados – porque não somos os donos dela. Muito pelo contrário, é um processo verticalizante. Se não tivermos nada de útil para fazer, seguiremos trabalhando na construção da nossa própria sujeição – e na dos outros. Vide bulshit jobs do Graeber, etc.

https://twitter.com/stedile_mst/status/1126112178472411141